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Chichas

Porcarias que encontro por aí

Porcarias que encontro por aí

Chichas

04
Fev09

A senhora dos guarda-chuvas

Pedro Chichorro

 Moro num enclave em pleno concelho do Porto. Eu e milhares de pessoas, senão reparem: Embora a freguesia seja Ramalde, esta é tão extensa que quase não nos acolhe como Ramaldenses. Estamos relativamente longe do centro de decisão, que é o Edifício do Lago, e é uma zona mais ou menos nova para o sítio que viu nascer o cinema português, treinar o Humberto Coelho e balear líderes de grupos de seguranças nocturnos. Francos é aqui ao atravessar a estrada, mas estamos deste lado e ficaria estranho a fronteira entre freguesias não coincidir com o traçado da VCI. Só aqui temos viadutos-fantasma e  terrenos pantanosos de nevoeiros rasteiros e sinistros que emanam energias diferentes. Não admira portanto que todos que aqui habitem tenham uma forma de estar na vida algo alternativa. Tipo Olivença mas com mais bovinos do que suínos.

Aqui não se fala das intempéries, dos escândalos nacionais, das crises mundiais. Aqui fala-se na "senhora" que é a pessoa que há uma semana se plantou ali num cruzamento junto ao jardim grande à chuva, em pé, imóvel. Todos os dias em todos os cafés e espaços públicos se avança um pouco mais na informação partilhada sobre "a senhora" que vai ficar ali vinte dias. É de Famalicão, A vida dela é esta: sofrer por nós nos sítios onde é mais necessário. Dizem que faz isto há muitos anos e vai mudando de sítio conforme Deus quer e a envia.

Às vezes rodeada de povo, com ou sem polícia a tentar dialogar, com ou sem guarda-chuvas suplentes pousados aos pés  dela, cada vez mais sozinha, que as gentes e as autoridades já começam a ficar habituados à "senhora".

Ao todo serão vinte dias, se depois disso sentirmos melhorias no estado de espírito da urbanização e a "senhora" já tiver desaparecido vamos ter que mandar fazer uma estátua.

Afinal aquele jardim está despido, em vez do tradicional cauteleiro a quem o pessoal encaixa um cigarro nos lábios, teremos uma estátua encurvada, solitária, debaixo de um guarda chuva e onde vamos depositando aos seus pés os nossos guarda-chuvas velhos. Já vi tradições com inícios mais fracos.
A personagem vai estar ali mais uns dias, não é um espectáculo visualmente estimulante, mas depois quando existirem as ancestrais tradições, podem dizer aos vossos netos que, para além de terem vindo várias vezes de metro com o emplastro, também viram "a senhora".

 

PS: ainda não tive coragem de lhe tirar uma fotografia.
 

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22
Nov08

Obras públicas

Pedro Chichorro

Como bons portugueses, gostamos de ver obras. Sabendo isso, foi criado aqui na redacção do Chichas um departamento de acompanhamento às obras do viaduto fantasma de Ramalde-Francos.
Ao clicar no link acima temos acesso a imagens do início das obras. Em baixo mostro mais três etapas desta obra que nos enche de orgulho a todos:

A inclinação perfeita foi atingida com a ajuda de muita areia.


Ai! Agora baralhei-me e já não sei se esta foto foi tirada antes ou depois da outra. Um momento. Pois... estão ao contrário.Façam de conta que viram esta primeiro.

Esta foi tirada agora. Podia ter evitado as sombras indo para a janela umas horas antes. Mas não se pode ter tudo. A próxima irá estar melhor.
 

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03
Set08

Evolução da coisa

Pedro Chichorro

 Cá vos mostro as novas imagens da obra do século: a conclusão do viaduto fantasma da Prelada. Esse mesmo sobre o qual foi feito, em 2001, um "jantar barroco". 


As últimas hortaliças.
 

As belas fundações, tão compactas, tão firmes.

A rampa acima permitirá os senhores automobilistas e peões acederem mais facilmente ao tabuleiro.



Um dos trabalhadores da obra, decerto embriagado,  decidiu escavar aquilo que demorou meses a conseguir. As autioridades já foram notificadas por mim.


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19
Jul08

Progresso

Pedro Chichorro

Se o caro cibernóide amigo, palhaço deste circo que é a vida, um dia destes andar a vasculhar no Google Earth ou no Live Maps e não encontrar o seu viaduto-fantasma preferido; Chichas mostra in-loco o que se passa:



É que eles trabalham que se fartam. Ou, para quem nos lê de fora, they work that they fart. Já mandaram embora as vaquinhas e os cavalinhos, incluíndo aquele que passava de carroça todas as manhãs ali no meio daqueles carros, já não podemos comprar couves nem galinhas para a cabidela, o ar está mais poeirento mas é temporário.
Estou dividido, não sei se prefiro a vista que a foto não respeita de todo e que muda durante todo o ano, ou um atalho porreiríssimo para o outro lado da estrada.
Depois vou mostrando a evolução desta já considerada a obra do milénio que unirá de forma sustentada e fraterna as Freguesias de Ramalde e Francos há tantos anos separadas pela VCI (embora mesmo ao lado haja outra ponte sem contar com a do metro, mas esta vem dar mesmo aqui à porta pah). Não destruam é o pirolito do Nasoni. É pequenino mas é amado por todos nós.

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