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Chichas

Porcarias que encontro por aí

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Chichas

26
Jul08

Variações em leitões

Pedro Chichorro

É lendário o meu apreço por francesinhas e por leitão. E por cabidela, mas essa será abordada futuramente num espaço digno e espaçoso.
Quando, há uns meses, o Vilas Maia me informou da existência de francesinhas de leitão ali na Ribeira, as minhas reacções foram diversas. Primeiro tive um baque no peito, tipo susto mas bom. Uma ligeira falta de ar, as pupilas dilataram e os pelos dos braços entesoaram-se.
Depois foi a vez da reflexão. Francesinha de leitão? Pensei. Isso ou é muito delicioso ou muito nojento. Tentei imaginar o sabor, a textura da carne no pão com aquele molho. Algo não batia certo, mas queria provar.
Informei-me melhor sobre o assunto e surgiu um dado, que para muitos poderia parecer insignificante, mas para mim foi todo um desvendar de algo. Perdi toda a vontade de experimentar a francesinha de leitão no momento em que soube onde elas são feitas.
Imaginava eu que as ditas eram servidas num café, numa tasca, feitas por uma senhora ali da Ribeira mas não. As francesinhas de leitão são servidas num restaurante a puxar para o very typical com preços not so typical.
Dando-me o cenário consegui facilmente fazer o filme. A francesinha de leitão é um ser híbrido inútil tipo Castelo Branco. Só serve para que se fale nela, deve ser uma porcaria que ninguém gosta mas funciona como publicidade ao estabelecimento. Se assim não for, ofereçam-me uma que eu venho a correr para aqui negar tudo que disse. Mas estou certo que não deve ser coisa boa.
Isto tudo para chegar onde? Ah! Para chegar à parte em que informo que acabei de comer um rissol de leitão delicioso. Já comi melhores, mas este estava bom. Prefiro aqueles em que se sente a carninha fibrosa no recheio, este era mais pastoso mas o aroma do molho de pimenta estava presente e chegou a comover-me encontrá-lo ali, dentro de um rissol.

 

 

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06
Fev08

Já tratava da saúde a uma Francesinha..

Pedro Chichorro

Todos sabemos que depois de um dia (ou noite) de abusos etílicos não podemos saltar imediatamente para um registo saudável. Assim, aquilo que melhor sabe no dia seguinte é muita coca cola e junk food.
Para uns, o Domingo é dia de comer assado. Para mim a pizza é um assado e a Francesinha também vai a gratinar antes do quente e saboroso baptismo.

 

Quem acha que a francesinha é um Croque Monsieur deve pensar que cachaça é água. E cachaça não é água não. Croque Monsieur é uma simples tosta mista coberta de queijo derretido. Croque Madame é a mesma pobreza de quem não tem ingredientes para mais, com um ovo estrelado em cima.
A francesinha é algo de sublime, desde o molho à escolha das carnes.  Pessoalmente dispenso a linguiça, mas a salsicha fresca e o bifinho faz  descer em nós o espírito de um frade como aquele da Sopa da Pedra na sua versão António Assunção.

 

Com o ovo em cima, acompanhada ou não de batatas fritas, com a bem humorada gamba coberta pelo queijo; a melhor francesinha leva um bife do tipo prego e não a irritante carne assada. Quero lá saber se foram inventadas na Regaleira e que lá são com carne assada, ninguém que corta carne assada com aquela grossura merece ter o destaque que ainda tem na comunicação social.  Só tem na comunicação social, já que não conheço ninguem que lá vá pela francesinha. Tudo o resto é válido mas não me interessa agora.

 

O que é certo é que o discreto Café Santiago está sempre à pinha com as suas deliciosas Francesinhas com um molho feito diariamente que, diz quem sofre disso, não ataca orgãos nem esfíncteres mais sensíveis.

O Capa Negra não desilude por ser mais industrial e é quem dá de alimento fora-de-horas aos portuenses todos os domingos. Consta que há um sítio na zona industrial (À Cunha?) que, por serem gigantes, serve meias francesinhas e nos Poveiros, a pizzaria S. Martino inventou uma versão mais atomatada e com massa de pizza em vez de pão de forma. Usam salsichas de lata, o que poderia ser visto como um crime grave, mas como não é uma Francesinha, não sou eu que vou criticar a versão italiana.

Este post não serve para acrescentar informação sobre as Francesinhas, já muito se disse sobre elas e muito bem. Isto serve apenas para me esquecer de como estou a salivar por uma, mas funcionou ao contrário.


A esta hora já não posso mandar vir uma da Casa Papagaio, que entregam ao domicílio (Tel: 222084855) e chegam com as batatas fritas num saco de papel, todas moles, molhadas e coladas. Ainda assim são melhores e mais baratas do que uma outra empresa dita especializada que me fez esperar horas por uma porcaria intragável com molho amargo. Não sei o nome porque o panfleto foi para o ecoponto e a esta hora já deve ser caixa de ovos.
Se alguém quiser sugerir um sítio bom ou de evitar use os comentários que eu agradeço.

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