Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Como salvar o mundo estando quieto

Em 1983 Stanislav Petrov , um militar da ex-União Soviética, detinha um posto importante. Como Tenente Coronel, ele era encarregado de monitorizar os satélites soviéticos que sobrevoavam os EUA, detectando algum sinal de acções militares não autorizadas.

 

Era o tempo da guerra fria e as suspeitas eram altas. No dia 1 de Setembro a União Soviética tinha abatido por engano um avião coreano que pensaram ser militar, matando 269 civis, entre eles um congressista americano. Os soviéticos achavam que os americanos podiam despoletar um ataque de mísseis a qualquer momento e eles seriam obrigados a responder com o seu arsenal nuclear.

 

Várias semanas após do acidente com o avião coreano, no dia 23 de Setembro, outro oficial ficou doente e então Petrov foi obrigado a ficar de serviço num duplo turno num bunker secreto, monitorizando a actividade dos satélites quando "de repente  o ecrã à minha frente ficou vermelho vivo. Um alarme disparou. Era ensurdecedor, suficientemente alto para levantar um homem da sepultura."

 

De acordo com o sistema, os americanos tinham lançado cinco mísseis, que se aproximavam rapidamente da União Soviética. A Rússia estava a ser atacada.
Tudo que Petrov tinha que fazer era premir o botão vermelho que piscava à sua frente na secretária e os soviéticos retaliariam com a sua bateria de mísseis, despoletando uma guerra nuclear de enorme escala.

 

"Durante 15 segundos estivemos num estado de choque. Precisávamos de perceber, e agora?"

 

Apesar do ambiente caótico dentro do bunker, Petrov , que tinha formação científica, levou algum tempo para analisar a situação cuidadosamente antes de tomar uma decisão. Ele percebeu que se os americanos de facto tinham atacado, certamente não iriam lançar uns mero cinco mísseis de uma vez. E quando verificou os radares colocados no solo não encontrou nenhuma evidência de mísseis a chegar.

 

Ele continuava sem saber ao certo o que se estava a passar, mas "eu tinha uma  sensação esquisita cá dentro. Eu não queria cometer um erro. Tomei uma decisão e foi essa."
Felizmente ele decidiu não carregar no botão. Mais tarde verificou-se que os seus instintos estavam certos: o sistema tinha dado um alarme falso e os Estados Unidos não tinham disparado qualquer míssil. Graças à cabeça fria de Petrov , milhões de pessoas foram salvas e uma guerra nuclear foi evitada.

 

Petrov não recebeu nenhuma recompensa da defesa soviética pelo seu acto heróico: Envergonhados pelos seus próprios erros e raiva a Petrov por  ter violado o protocolo militar, forçaram-no retirar-se com uma reforma equivalente a 150 Euros por mês.
O acto heróico foi mantido secreto até à publicação, em 1998, de um livro da autoria dos seus colegas militares que testemunharam a sua coragem.
Desde a publicação desse livro, Petrov foi homenageado pelas Nações Unidas e presenteado com um World Citizen Award (prémio cidadão do mundo). Foi também proposto como Nobel da Paz.


"Fui apenas a pessoa certa no momento certo" disse ele no documentário a estrear em breve: The Red Button and the Man Who Saved the World .

 

 



por Pedro Chichorro às 04:16
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