Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011
Aqui que ninguém nos ouve

Conheço uma babe que passa horas em lojas. De decoração e mobiliário de preferência. Về tudo, volta lá várias vezes e não compra nada, deixando em desespero doloroso qualquer companhia masculina.
Durante os primeiros dias achei que ela já estaria a ser seguida por câmaras de vigilância porque afinal andar ali a cirandar tantas vezes e não comprar uma vela que seja, só podia andar a roubar. Depois reparei que todos os clientes eram mulheres e faziam precisamente o mesmo que ela.
Comentei-lhe baixinho e levei um enfardamento de criar bicho.
Ficou-me marcado ao ponto de, noutra vez, cometer o erro de a acompanhar a essa loucura chamada Ikea que mete as casas do pessoal todas com os mesmos candeeiros e prateleiras. O pó das madeiras ou whatever provocou-me algo que me desligou os brônquios e não entrava uma molécula de oxigénio nesta tubagenzinha de ai Jesus.
Aguentei firme e não disse nada durante umas horas. (Na última vez que a tinha acompanhado e disse que já chegava, saiu tão furiosa que bateu com as portas automáticas de vidro atrás dela. Nunca tinha visto nada assim.) Quando já me sentia roxo e a ver areia, pedi desculpa e supliquei, apesar do risco, para irmos embora porque me estava a sentir mal. Foi horrível e claro que ouvi o que os cães não gostam, mas depois no hospital de Santo António com uma pulseirinha ela percebeu que eu talvez estivesse a falar a sério.
Entrei no hospital e tentei, sem ar sequer para falar, explicar na triagem que estava sem ar sequer para falar. Perceberam e sentaram-me à espera.
A dama aproveitou "já agora" para ver o que se passava com o olho que até estava um bocado vermelho. Foi atendida e eu, depois de três horas no meio de velhinhos a esticar o pernil, achei que afinal estava óptimo e vim pra casa.
Agora o máximo de compras que faço com ela é tabaco e supermercado porque está de dieta.



por Pedro Chichorro às 06:19
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1 comentário:
De Paulo Quental a 23 de Janeiro de 2011 às 18:21
Grande Pedro!
És um homem de coragem, tanto por ires como acompanhante, bem como por teres coragem de te queixares.


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